Jardim José do Canto

Visitantes Célebres

Ao longo de mais de meio século o Jardim foi permanentemente visitado por locais e turistas. De assinalar a presença de diversos visitantes célebres, alguns dos quais escreveram mesmo as suas impressões. Abrangendo essas visitas e descrições já um significativo período de tempo, impossível se torna fazer aqui um inventário completo.

Como relata Maurice Sand, (filho de George Sand), ao descrever a grande viagem do Príncipe Jerónimo Napoleão, (1822-1891), dito “Plon-Plon e sua mulher a Princesa Clotilde, filha do Rei Victorio Emanuel I de Itália, (e, portanto, irmã de D. Maria Pia, Rainha de Portugal), no Mediterrâneo e Atlântico Norte, em “Six Mille Lieues Toute Vapeur (Revue des Deux Mondes, Vol. 37, Paris 1862), em 10 de Julho de 1861, os “muito belos jardins particulares de Ponta Delgada, foram visitados pelos Príncipes.

Da Imprensa da época e outras fontes consta que “visitou a cidade e os seus jardins em 13 de Agosto de 1866 o filho do Tzar Alexandre II da Rússia, Grão Duque Alexis Alexandrovitch, que aportou a Ponta Delgada como oficial da fragata “Oshliabia"

Em 14 de Março de 1879 o Jardim foi visitado pelo célebre oceanógrafo, então Duc de Valentinois, depois Príncipe Albert ler de Mônaco, que nele apreciou a “grande variedade de plantas e a “sua extensão" “merecendo-lhe particular atenção os fetos arbóreos, os bambús e a colecção de azáleas. E escreve ao pai, o Príncipe Charles III: “J’ai visité de merveilleux Jardins, de beaucoup les plus beaux que j’aie jamais vus; les plantes et les arbres des tropiques y viennent dans la perfection ainsi que ceux des régions tempérés? (Arquivo do Museu Oceanográfico do Mónaco, cit. por Mme Jacqueline Carpine-lanere, “L’Hirondelle aux Açores" conferência inédita).

Em 7 de Julho de 1901, (e já depois do falecimento de José do Canto), El-Rei Dom Carlos e a Rainha Dona Amélia, acompanhados pelo Presidente do Conselho, Ernesto Hintze Ribeiro “visitaram os Jardins do Canto e António Borges, que, com o Jardim Jacome Correia, annexo ao Paço, têm bem justificada fama de serem dos mais bellos da Europa" como diz a imprensa da época.

Em 1908 os Jardins de Ponta Delgada são visitados pelo então ex-presidente dos USA Theodore Roosevelt, que se dirigia a África, movido pela sua conhecida paixão de viajante, caçador e geógrafo. O  New York Times de 31 de Março de 1909 refere expressamente essa visita.

Ainda ao nível dos Chefes de Estado que estiveram no Jardim, o mundialmente mais célebre foi Franklin Delano Roosevelt. Era em 1918 um jovem Subsecretário da marinha em viagem de inspecção a bases navais americanas. Havia, como é sabido, uma em Ponta Delgada.

Escreve no seu diário: “Yesterday?(17 de Julho) “we visited a wonderful private park of a family named Canto a collection of trees and plants from all over the world and especially curiously marked colored leaves. Almost anything will grow in the Azores for the temperature is about the same at all times and one sees bamboo next to English oak and even white pine.?(“F.D.R. His Personal Letters? Vol. II, 1905-1928. NY, 1948, pg. 381).
      
Em 1941 e durante a visita presidencial passa rapidamente pelo Jardim o Marechal António Oscar Fragoso Carmona, no termo de um “garden-party?oferecido por Maria da Graça e Augusto de Athayde a sua mulher D. Maria do Carmo.
Ainda durante o Estado Novo registe-se a visita do Almirante Américo Tomáz, Presidente da República, no Verão de 1972.

O Cardeal de Boston Dom Humberto de Medeiros. Visitou S. Miguel, sua terra Natal, em Agosto de 1973 e almoçou na Casa do Jardim José do Canto.

Em 10 de Junho de 1989, no termo da “Presidência Aberta" organizada nos Açores, o Jardim José do Canto, foi visitado pelo Presidente da República Dr. Mário Soares e Sua Mulher. E em 1998 pelo Presidente da república, Dr. Jorge Sampaio. Em 2003 pelo Primeiro-ministro José Manuel Durão Barroso.

Entre escritores e artistas, os visitantes mais destacados foram António Feliciano de Castilho. Constam múltiplas referências às suas relações com a família Canto e, designadamente, este curioso trecho, (pág. 250): “Consta-me que houve também por esse tempo, (1849), outro grande jantar oferecido ao poeta pelo seu constante amigo o Sr. José do Canto. Foi n’uma das vastas estufas do jardim sumptuoso que ali possuía, e possui, o Sr. Canto. Parece, segundo a tradição oral, que o nosso poeta recitou n’esse banquete uma parte do seu poema inédito “O presbytério da montanha.(Única estufa onde poderá ter sido oferecido um jantar que actualmente existe, transformada em pavilhão de festas, junto ao extremo poente da propriedade).

Já atrás mencionei a chamada “Visita dos Intelectuais" às ilhas, em 1924. Por uma fotografia de que tenho cópia, (e que vem do arquivo de D. Joana Motta Van Zeller), vê-se que os “Intelectuais visitaram o Jardim José do Canto. Nas costas da fotografia estão identificados junto da enorme e já desaparecida “árvore do buraco" (atrás referida), D. Manuel de Bragança, Armindo Monteiro, Antero de Figueiredo, pelo menos.

Raúl Brandão em “As ilhas desconhecidas, II cd., 1926, (aqui cit. a edição “Comunicação" Obras Completas, 1988, pg. 126), deixou estas linhas acerca do Jardim, visitado em 30 de Julho de 1924: “Demoro-me mais no de José do Canto, dum verde cerrado e magnético. Árvores que infundem respeito, com furnas e cavernas nos troncos, árvores cenográficas, cheias de força e amplidão ou transparentes e frágeis como vidro pedaço dos trópicos transportado por mágica para Ponta Delgada, e que eu, se tivesse tempo, me deitaria a explorar, a modo de floresta virgem.

Em 1989, (durante a “Presidência Aberta", ficaram vários dias alojados na Casa do Jardim José do Canto os membros do Júri do Prémio Camões, tanto brasileiros quanto portugueses: Jorge Amado; Zélia Gattai; Afrânio Coutinho; José Aparecido; Myriam Fraga; Violeta Arraes; João Conde Herberto Sables; Maria de Lourdes Belchior Pontes; Eduardo Lourenço; António Alçada Baptista. Em 1992, Agustina Bessa Luís. O Visconde do Ervedal da Beira, em 1894.

A Casa constituiu, durante vários anos, a base, em S. Miguel, do Festival de Música dos Açores. Muitos músicos nela ficam instalados, e numerosos concertos têm sido organizados na “Sala Grande" Registem-se as presenças de Ileana Cotrubas, (existe um CD de um seu recital na Sala Grande), maestro e violinista Sandor Vegh, a pianista Moura Limpani, as Orquestras de Câmara de Manchester e de Bratislava e muitíssimos outros.

Destacados escultores e pintores portugueses contemporâneos, (Noronha da Costa, Graça Moraes, Nuno Siqueira, Gracinda Candeias, Maria Gabriel, António Viana, Ema Berta, Dorita Castel-Branco, etc., etc.), têm também visitado ou ficado no Jardim e, por vezes, pintado.

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